
Escrevo poesia com dor, saudade, ternura, amor e sensualidade. Dizem que sou meigo e caprichoso, carente e afectuoso, mas neste mundo só procuro uma felicidade inexistente no meu corpo.
Por natureza, e apesar de tentar disfarçar, sou tímido, envergonhado e com muita falta de autoconfiança. Acredito na vida e não sei desfruta-la em pleno, acredito nas pessoas mas saio sempre magoado, acredito no amor e simplesmente não o consigo viver, não falo só no amor de dois seres, mas num amor global entre vários seres humanos.
Por medo e receio, construi muros á minha volta, muros que me defende dos meus insucessos, da minha falta de coragem, da realidade podre da nossa sociedade, mesmo assim, tento lutar contra o destino, contra sonhos perdidos e imaginados.
O destino quis que eu vivesse amores com grande intensidade, amores esses que não passaram de simples devaneios do meu coração, por falta de autoconfiança foi adiando esses amores, sonhos e objectivos, ou seja, não acreditei em mim, não tive a confiança que qualquer ser deve e tem o dever de ter. Deveria pegar na espada e com todas as forças desbravar caminhos que me levassem ao paraíso ou simplesmente ao inferno. Não lutei, limitei-me a sonhar entre os lençóis frios da minha mente.
Ainda ontem me disseram que desistia muito facilmente dos meus sonhos, que não corria atrás deles, que não lutava por eles. É verdade, como já perdi algumas batalhas e para não derramar mais lágrimas e abrir feridas no meu coração… desisto e vou desistindo de correr atrás dessas pequenas vitorias. Sorrio, um sorrio triste, nas desisto para não voltar a sofrer.
Olho-me ao espelho e pergunto-me muitas vezes porque eu sou assim, a resposta é sempre a mesma, um silêncio surdo. Os olhos ainda tentam brilhar na escuridão do meu coração, mas o silêncio teima em imperar.
Perguntam-me se não tenho ambição: - Tenho, e muita como qualquer ser humano… mas o receio e o medo de voltar e voltar a sofrer é mais forte que a própria ambição.
Mas nem tudo na minha vida é um sofrimento contínuo, tenho vivido momentos de grande alegria, de grande felicidade, mas foi nesses momentos que me apercebi que não devemos dar tudo o que podemos dar, pois mais tarde ou mais cedo este conjunto de seres que nos rodeiam, esses seres que chamamos de humanos, transformam o brilho das estrelas numa tempestade tropical. A ganância e a ambição desmedida de muitas pessoas fazem que todos os sonhos de pessoas ingénuas como eu se derramem por uma terra fria de dor.
Não sou um coitadinho, nem quero sê-lo, sou um ser que gosta de sonhar, e dentro dos seus sonhos procurar a felicidade que a sociedade teima em tira-la.
Simplesmente um desabafo.
Pergunto-me muitas vezes o porquê! O porquê dos medos, dos olhares, dos sentimentos que acorrentam-me a alma. Amo a vida e não a desfruto, perco-me em poços fúnebres de alucinações que vagueiam em sonhos perdidos num céu cinzento, em fantasmas inexistentes em nuvens carregadas de um negro luto. Alguma alma navegante deixou caír a chave da razão num lago perturbado por um adamastor perdido do seu habitat natural.
Hoje fechei um círculo da minha vida, durante muitos anos vivi acorrentado aos medos, medo do que sou, do que gostava de ter sido, de brigas e pequenas quezílias, mas cheguei á conclusão que não vale a pena sofrer por tamanhas insignificâncias. Toda a minha vida me dediquei de corpo e alma e com grande entusiasmo em tudo o que fazia. Hoje chego á conclusão que os adamastores que nos rodeam não passam de meros fantoches que tentam manipular as outras pessoas no sentido de atingirem os seus objectivos. O mundo é fabricado por este tipo de pessoas, que não passam de amigos de ocasião, ou seja, enquanto o mundo girar á sua volta está tudo bem, caso contrário, está tudo mal. Passamos de bestiais a bestas num saltar de pés. Chega!
Adoro, ou melhor adorava muito o que fazia, nas não posso compactoar com o que acho irracional, ou simplesmente ganancioso… Devo e tenho o dever de proteger os meus ideais, sem pensar naquilo que esses adamastores irão pensar. Fui prejudicado, eu sei que não foi por não saber exercer as minhas funções, mas sim por vingança, este tipo de pessoas são vingativas como são todas as pessoas que só pensam no sucesso, no seu “EU”… Tive pena, pois quem saiu mais prejudicado não fui eu, mas sim as crianças que me rodeavam. Num projecto em que me dediquei de corpo e alma… Quem tem acompanhado o meu blog sabe que fui treinador de basquetebol, deixei de o ser, por capricho do coordenador do clube: Eu defendia que deveríamos fazer uma grande aposta na formação. Ele, pelo contrário achava que deveríamos apostar numa equipa de seniores forte... Infelizmente para o clube a aposta foi falhada, não se alcançou o principal objectivo que era subir de divisão. Por outro lado, atletas das camadas de formação desistiram pois deixaram de ter o apoio e carinho que tanto necessitam na idade da adolescência…
Eu continuo a pensar que uma casa se constrói pela base e não pelo telhado… Mas quem sou eu para decidir seja o que for quando as pessoas são cegas e não se apercebem do fim da sua linha.
Tenho pena dos anos que por lá andei, as amizades que fiz, a camaradagem com os atletas, que ainda hoje me ligam para o telemóvel a pedir para voltar, como essa decisão dependesse de mim…
Desculpem-me ter publicado isto aqui, não tem nada a ver com o contexto do blog, mas a revolta que senti foi tão grande, que as lágrimas me correram pela rosto desgostoso por tudo o que me estava a acontecer… agora sinto-me muito melhor e foi nesse sentido que escrevi este post, com um único objectivo: as pessoas não olham a meios para atingir os seus fim, nem que para isso percam a amizade dos seus amigo, pois em primeiro lugar está o seu umbigo…
Simplesmente um desabafo…

