
Pergunto-me muitas vezes o porquê! O porquê dos medos, dos olhares, dos sentimentos que acorrentam-me a alma. Amo a vida e não a desfruto, perco-me em poços fúnebres de alucinações que vagueiam em sonhos perdidos num céu cinzento, em fantasmas inexistentes em nuvens carregadas de um negro luto. Alguma alma navegante deixou caír a chave da razão num lago perturbado por um adamastor perdido do seu habitat natural.
Hoje fechei um círculo da minha vida, durante muitos anos vivi acorrentado aos medos, medo do que sou, do que gostava de ter sido, de brigas e pequenas quezílias, mas cheguei á conclusão que não vale a pena sofrer por tamanhas insignificâncias. Toda a minha vida me dediquei de corpo e alma e com grande entusiasmo em tudo o que fazia. Hoje chego á conclusão que os adamastores que nos rodeam não passam de meros fantoches que tentam manipular as outras pessoas no sentido de atingirem os seus objectivos. O mundo é fabricado por este tipo de pessoas, que não passam de amigos de ocasião, ou seja, enquanto o mundo girar á sua volta está tudo bem, caso contrário, está tudo mal. Passamos de bestiais a bestas num saltar de pés. Chega!
Adoro, ou melhor adorava muito o que fazia, nas não posso compactoar com o que acho irracional, ou simplesmente ganancioso… Devo e tenho o dever de proteger os meus ideais, sem pensar naquilo que esses adamastores irão pensar. Fui prejudicado, eu sei que não foi por não saber exercer as minhas funções, mas sim por vingança, este tipo de pessoas são vingativas como são todas as pessoas que só pensam no sucesso, no seu “EU”… Tive pena, pois quem saiu mais prejudicado não fui eu, mas sim as crianças que me rodeavam. Num projecto em que me dediquei de corpo e alma… Quem tem acompanhado o meu blog sabe que fui treinador de basquetebol, deixei de o ser, por capricho do coordenador do clube: Eu defendia que deveríamos fazer uma grande aposta na formação. Ele, pelo contrário achava que deveríamos apostar numa equipa de seniores forte... Infelizmente para o clube a aposta foi falhada, não se alcançou o principal objectivo que era subir de divisão. Por outro lado, atletas das camadas de formação desistiram pois deixaram de ter o apoio e carinho que tanto necessitam na idade da adolescência…
Eu continuo a pensar que uma casa se constrói pela base e não pelo telhado… Mas quem sou eu para decidir seja o que for quando as pessoas são cegas e não se apercebem do fim da sua linha.
Tenho pena dos anos que por lá andei, as amizades que fiz, a camaradagem com os atletas, que ainda hoje me ligam para o telemóvel a pedir para voltar, como essa decisão dependesse de mim…
Desculpem-me ter publicado isto aqui, não tem nada a ver com o contexto do blog, mas a revolta que senti foi tão grande, que as lágrimas me correram pela rosto desgostoso por tudo o que me estava a acontecer… agora sinto-me muito melhor e foi nesse sentido que escrevi este post, com um único objectivo: as pessoas não olham a meios para atingir os seus fim, nem que para isso percam a amizade dos seus amigo, pois em primeiro lugar está o seu umbigo…
Simplesmente um desabafo…
Imagem retirada da Internet
Deliciei-me com os comentários
Do meu post anterior,
Palavras soltas,
Umas ditas com o coração,
Outras com a alma da razão…
Chamaram-me de anónimo
E quem não é anónimo nesta sociedade
Que não repara nas flores dos jardins
Nas ruas sem fins
Na melodia do fim do dia
No cantar do pássaro ao amanhecer…
E quem não é anónimo nesta sociedade
Em correrias que tal
E nos passeios se atropelam
Sem dizerem um bom dia…
Acusam-me de me esconder
Atrás de trocadilhos,
Que não passam de meras palavras
Perfumadas pelas flores do jardim
Que, com a pressa dos atropelos,
O seu perfume consegue cheirar…
Talvez seja um cobarde,
Nas entrelinhas das minhas palavras
Admito, sou um cobarde…
Sou cobarde por ser ingénuo
Deixar o mundo atropelar-se
E não gritar aos quatro cantos
De um mundo podre de ideias
Eu estou aqui…
Chamo-me Fernando,
E amei-te logo que te vi…
Amo a natureza,
A simplicidade do rio,
A música do mar,
Um poema de amar,
O nascer do sol,
A lua no seu altar,
Rodeada de cintilantes estrelas,
Em dias de luar…
Amo o meu filho,
E a minha mulher…
Mas é na poesia,
Mesmo não sendo poeta,
Que a minha alma se liberta,
Desta minha cobardia…

